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Sábado, 03 de Novembro de 2018, 15h:15 | A | A

MESSIAS ROCHA

COLUNA: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é...

Por: Messias Rocha

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

Nos últimos anos testemunhamos o acirramento dos ânimos nas conversas sobre politica, especialmente no que se refere à doutrina político-econômica e político-social. Por ser o eleitor brasileiro de natureza muito mais apaixonada do que racional, assistimos, lemos e ouvimos pessoas que (muito provavelmente) nunca tenha se detido a estudar os conceitos básicos da ciência politica causarem a maior confusão conceitual sobre o tema. Estes ignorantes, em parte movidos por sua condição cultural excessivamente rasa, em parte impulsionados mesmo pela má-fé, passaram a chamar de comunista toda e qualquer pessoa que externasse uma frase sobre macroeconomia e cultura que não fossem acompanhadas dos termos: liberalismo econômico e conservadorismo cultural. Para simplificar ainda mais, taxaram-nos todos, nós progressistas, pejorativamente de socialistas ou comunistas; e quando esqueciam estes termos, chamavam-nos apenas de petistas. Acontece que o próprio partido dos trabalhadores, desde sempre, nunca teve sua postura alinhada com os preceitos fundantes da forma de governo denominado socialista.

O socialismo, na acepção clássica, propunha o fim do estado burguês-capitalista e o estabelecimento de um governo do povo e para o povo. Os meios de produção seriam todos estatais e a economia seria planificada, de modo que um médico, um juiz e um pedreiro recebem todos os mesmos salários e tivessem a mesma carga horaria de trabalho. Na realidade o começo desse trajeto seria o que Marx chamou de socialismo, e o final o comunismo, da vida comum. Algumas experiências foram feitas mundo afora, mas quase nenhuma rendeu motivos de orgulho ao mundo, exceto, talvez, a cubana, especialmente no que se refere à educação. Mas se no geral as experiências praticas do socialismo não se sustentaram, isso de deve tanto ao fato de governantes de esquerda terem se apropriado de forma equivocada do projeto Marxista, quanto também ao fato de o próprio idealizador do sistema não ter conseguido prever o surgimento de novas classes de trabalhadores: os executivos das grandes empresas e a classe média, formada em grande parte pelo funcionalismo público. Além de tudo isso tem-se também a variável psicológica agravadora chamada egoísmo-individualista. Portanto, um governo, ou partido, socialista, só o seria se tivesse em seu programa a realidade acima como meta prioritária.

No Brasil há partidos que, ao menos em tese, propõe a superação do atual modelo de governo burguês-capitalista pela forma socialista de produzir os bens de consumo, gerir os bens de produção e distribuir a riqueza da nação. Quase que cem por cento alinhados com o pensamento original de Marx está o PCO – Partido da Causa Operária, PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores da Causa Unificada e o PCB – Partido Comunista do Brasil, mas eles não representam a totalidade da esquerda brasileira, pois há vários outros a exemplo do Psol, PCdoB e PDT. Talvez, neste momento, paire a duvida sobre como é possível partidos que defendem uma revolução radical e partidos que defendem apenas reformas pontuais serem situados no mesmo grupo identitário?! 

Sim, isso é possível na medida que se tem a compressão de que ser de esquerda , ou ser progressista, não carece mais de lutar pelo fim do capitalismo, mas, isto sim, se propor a fazer tudo que estiver ao seu alcance para a manutenção das conquistas do estado de bem-estar social e vislumbrar um país socialmente justo, de modo que haja igualdade de acesso aos bens educacionais e culturais; para que as pessoas possam a partir a daí, enfrentarem a selvageria do mercado em condições paritárias. Na economia, o esquerdalha, que o massa de manobra tenta ofender, luta para o estabelecimento do nacional-desenvolvimentismo; uma economia que privilegie tanto as empresas nacionais quanto a mão de obra e o mercado interno do país, através do enfrentamento de igual para igual com as grandes economias mundiais, que quase sempre nos olham apenas como produtores de matérias-primas e mão de obra baratas. Não existe bondade voluntariosa no capitalismo, seja na micro, ou seja na macroeconomia.

O militante de esquerda, aquele que você chama de esquerdopata, sem saber o que está dizendo, ele estuda e sabe que ser de esquerda não é mais defender o fim do capitalismo, e sim lutar por justiça social na distribuição da educação e dos bens culturais, para que todos partam para a luta em condições mínimas de sobrevivência, sem se preocupar tanto com o fim que se terá. Ou seja, agora a meta é a largada igual e não a chegada planificada. E de todo aquele movimento obrigatório para se identificar como esquerda, ou socialista moderno, o PT nunca faz a segunda parte. O partido dos trabalhadores apenas tomaram medidas pontuais na área da educação, mas não fizeram nada memorável, digno de incluir na lista de medidas verdadeiramente emancipadoras da nação, como fizeram os Japoneses ao focar na educação após os ataques atômicos que sofreram. Obviamente que os conceitos são mutáveis, porque a vida está e sempre estará em constante transformação, mas nas perspectivas da ciência politica o PT é, no máximo, um partido daquilo que se convencionou chamar de centro.

Messias Rocha. Policial Civil - Nova Mutum-MT

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