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AGRONEGÓCIOS Sexta-feira, 04 de Abril de 2025, 09:28 - A | A

04 de Abril de 2025, 09h:28 - A | A

AGRONEGÓCIOS / DADOS IMEA

Abate de vacas supera o de bois em 164 mil cabeças no 1º trimestre de 2025 em MT

Maior envio de fêmeas para frigoríficos pode reduzir a oferta de bezerros e impactar os preços da carne no mercado

Felipe Leonel/EstadãoMT



Pecuaristas mato-grossenses enviaram 941.854 vacas para abate no primeiro trimestre de 2025, 164.310 a mais do que o número de machos, que foi de 777.544 bois abatidos, aponta os dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O maior abate de fêmeas reduz a oferta de bezerros e, por consequência, pode impactar os preços da carne para o consumidor.

Para o diretor-técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, o momento atual é de uma virada do ‘ciclo da pecuária’, de um momento de baixa para a alta. Segundo Manzi, Apesar da valorização da arroba, o reflexo nos preços das vacas prenhas e paridas ainda não foi significativo.

Portanto, o produtor manda mais fêmeas para fortalecer o caixa e realizar investimentos. Atualmente, o preço da arroba do boi gordo à vista é de R$ 305, 50% a mais do que o registrado no mesmo período do ano anterior. Já o preço da vaca gorda está em R$ 286, 56% mais valorizado que no ano anterior.

“O preço ainda não está tão atrativo a ponto de não compensar mandar vacas para o frigorífico. Nós estamos com custos altos da produção e o produtor ainda está descapitalizado, ele ainda está tendo que mandar vacas para os frigoríficos, pra indústria. Então, o período que a gente vive é de transição”, explica Manzi ao Estadão Mato Grosso.

Esse ciclo é inerente à atividade da criação de animais. Quando o preço está atrativo, o produtor costuma reter as vacas no pasto para procriar e, portanto, aumentar a oferta de carne no futuro. Porém, quando essa oferta é elevada, o preço da arroba cai e o produtor manda mais vacas para o gancho, ao invés de deixar na propriedade para ser emprenhada.

Ainda segundo Manzi, como o preço pago pela arroba está mais atrativo e o valor para venda da vaca não está, o produtor prefere aproveitar o bom momento nas cotações para vender as vacas para o abate. A expectativa do setor é que os preços da arroba se mantenham nos valores atuais e o preço da vaca prenha ou parida valorize.

“O período que a gente vive agora é um período de transição entre o ciclo de baixa e o ciclo de alta. Temos uma expectativa que a hora que compensar muito mais para o criador segurar a vaca para ela parir, teremos um ciclo mais firme de alta ou com a manutenção dos preços que já estão”, destaca Francisco Manzi.

REDUÇÃO DO CONSUMO
De acordo com a empresa de inteligência de mercado, Agrifatto, o varejo tem encontrado dificuldades para comercializar a carne. O relatório aponta o baixo consumo da proteína e a ‘descapitalização da população’. Isso levaria ao aumento da escala de abate nos frigoríficos, que representa o número de dias para os quais a indústria já tem boi adquirido e programado para abate.

“O varejo continuou enfrentando dificuldades para escoar a carne bovina, justificadas pelo consumo reduzido e pela baixa capitalização da população. Como consequência, os frigoríficos têm registrado acúmulo de estoques em grande parte do país, o que tem reduzido a pressão sobre o mercado para acelerar o nível de compras de boi gordo”, diz.

O empresário Carlos Barradas, que possui uma casa de carnes em Cuiabá, destaca que o preço da carne bovina teve um aumento de cerca de 40% nos últimos meses, mas ele já tem percebido algumas mudanças nos preços no seu empreendimento. Porém, não acredita que esse movimento de baixa se intensifique.

“Somente agora, alguns preços estão caindo, mas no caso do Angus, que é a especialidade do açougue, essa queda ainda não ocorreu, pois não temos concorrência entre os frigoríficos nesse segmento. No último ano, tivemos uma retração no consumo de bovinos de forma geral e pelas conversas no mercado, essa realidade não deverá mudar tão cedo”, pontua. 



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