Pollyana Araújo/Primeira Página
Mato Grosso
A demanda chinesa por algodão apresentou retração nas últimas semanas e acende um alerta para os exportadores de Mato Grosso. Segundo o boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado em 31 de março, o volume de compras do principal destino da pluma brasileira segue em queda, o que já impacta diretamente os negócios do setor.
De acordo com o levantamento, os contratos futuros de exportação da pluma para julho e dezembro de 2025 apresentaram valorização de 0,79% e 1,32%, respectivamente, na última semana. No acumulado do mês, no entanto, houve recuo de 1,91% e 0,48%. Os preços médios ficaram em R$ 127/@ (julho/25) e R$ 134,95/@ (dezembro/25).
O boletim destaca ainda que os novos impostos anunciados pelos Estados Unidos sobre produtos chineses podem tornar a pluma norte-americana mais cara no mercado global. Nesse cenário, o algodão brasileiro surge como alternativa mais competitiva, uma vez que o produto nacional manteria preço mais acessível para os importadores chineses — o que poderia abrir espaço para o Brasil ganhar mercado.
Apesar disso, as compras da China seguem em ritmo lento. No acumulado de janeiro a fevereiro deste ano, o país asiático importou apenas 100 mil toneladas de algodão brasileiro, o que representa uma queda de 66,6% em relação ao mesmo período de 2024. O principal motivo, segundo o boletim, é o recuo no consumo interno chinês, influenciado por estoques elevados e pela desaceleração da indústria têxtil local.
Mesmo com o Brasil ganhando participação frente aos Estados Unidos, o ritmo mais fraco da economia chinesa limita o avanço das exportações. A expectativa do mercado é que, com o equilíbrio entre oferta e demanda no segundo semestre, as importações voltem a níveis mais próximos dos registrados nos últimos anos.